Já era a hora delas e o seu brilho perene como sempre precedendo minha humilde contemplação. Eram inúmeras. Luz de moça donzela. Cintilava uma dança de intensas cores, deslumbrando suas virtudes nada mortais, parecia ignorar que a do desgraçado é a miséria. Uma noite realmente única.
Enquanto isso na terra dos mortais, as horas insistiam em fugir, e o que eu deveria escrever?É a pergunta que pairava uma velha mesa marrom e uma iluminaria vagabunda de meia luz, num sórdido cubículo. O que agradaria você? O que possivelmente o faria ler este aglomerado de idéias e apreciá-lo como eu gostaria que fizesse? Poderia escrever uma bela história de amor? Talvez. E com um lindo fim, afinal, quem nunca viveu algo romântico e desejou ser feliz para sempre? Orgia-lo em obscenas palavras...? Faria algum sentido? Perguntava-me enquanto notava aquela desordem.
Edson Veloso

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